Por uns instantes, tudo parecia normal, demasiado normal, mas depressa a sua missão veio a pensamento. Descobrir e punir os infractores.
Mal chega á sede, dirige-se ao laboratório de investigação criminal para saber se tinham encontrado algum tipo de vestígio que lhe levasse ou lhe desse alguma pista sobre o caso, mas em vã. Apenas tinham encontrado vestígios de sangue de Rui e de Guida e ainda aguardavam os resultados da autópsia.
Saindo um pouco desiludido, Duarte exclama: - Se encontrarem alguma coisa, o que quer que seja, avisem-me!
E segue para o seu escritório. Este é pequeno, composto apenas de uma mesa rectangular, duas cadeiras, um computador, impressora e um telefone. Duarte pousa a arma em cima da mesa juntamente com o destintivo e faz um telefonema.
Rui acorda pouco antes das 7h00 sentindo-se ainda um pouco dorido. Abre a primeira gaveta da sua mesinha de cabeceira e tira um análgésico.
Esforça-se para se lembrar de tudo o que tinha acontecinto, mas havia na sua mente pequenas lacunas, pequenos black-outs que julgava poderem ser importantes para a investigação.
Rui começara a perder-se nos seus pensamentos, até que houve o telefone tocar. Rápidamente atende-o:
Rui - Bom dia Du!
Duarte - Bom dia Rui, como estas?
Rui - Dentro dos possíveis! Já sabes de alguma coisa?
Duarte - Não, ainda não infelizmente! Estive a falar com os criminalistas mas não conseguiram indentificar nehum vestígio que nos pudesse indicar um caminho a seguir. Vou agora ao beco com uma amiga minha, ver se escapou alguma coisa, tentar falar com alguém a ver se viram ou ouviram algo. Eles têm que ter deixado alguma pista.
Rui - Tudo bem, dá-me 15 minutos para me vestir e já aí vou ter contigo Duarte, eu disse que queria estar no caso!
Duarte - Estás é parvo pá! Ainda ontem saiste do hospital e já te queres por com esforços? Queres estoirar com os pontos não? Está descançado que se souber de alguma coisa és os primeiro a saber! Aproveita para descançar.
Rui - Ok Du, mas amanhã irei contigo, nem que vás para a Grécia!
Duarte - (riso) ok ok, eu dou-te a minha palavra que amanhã vens! Vá, tenho de ir agora, ela já está á minha espera!
Rui - Ok, vai lá, não te atraso mais, e ohhh mal saibas de algo comunica.
Duarte - Ok pá, está descançado. Eu aviso. até mais logo.
Rui - Até logo.
Duarte, ao desligar o telefone, fica preocupado, pois pensara que Rui deveria estar a sofrer muito com a perda, e sabia que estava, mas o problema era ele não sentir essa tristeza, essa revolta em Rui, parecia calmo, que nada se tivesse passado.
Após essa breve linha de pensamento, Duarte chama Carolina, sua amiga do curso de detective para o auxiliar. Ambos entram para o carro de Duarte e seguem até ao beco onde o crime aconteceu.
Á luz do dia, parece um beco normal, com garagens e armazéns, ao fundo uns quantos miúdos jogavam á bola. Duarte relembrava-se dos seus tempos de infância com Rui, costumavam a jogar á bola numa ruela parecida com aquele beco.
Ao aproximarem-se do local do homicídio, Duarte ainda consegue destinguir as duas grandes poças de sangue provacadas pelo degolamento de Guida e pelo esfaqueamento a Rui.
Duarte e Carolina revêm as fotos da perícia e tentar indentificar algo que pudesse ter escapado, mas lamentávelmente não conseguiram nada. Nesse momento, Duarte ao olhar um pouco mais para a frente, na sua diagonal direita, repara num estranho promenor. Um portão em sua frente com o número 222.
Carolina, por sua vez, caminha em direcção aos miúdos. Chegando lá, interrope-lhes a peladinha e pergunta-lhes se por acaso repararam em alguma coisa fora do normal a noite passada ou mesmo durante o dia. Pergunta ao qual os miúdos responderam que não em coro, todos menos um que se remeteu ao silêncio. Carolina quase que nem dava conta daquele miúdo em questão, pois estava sentado no chão, tapado pelos outros que estavam á sua frente.
Tinha ar de rapaz de rua, as suas calças azuis, rotas, já quase que estavam negras da sujidade, vestia apenas uma t-shirt azul e calçava uns ténis já gastos. Notava-se claramente que era um rapaz pobre.
Carolina, calmamente, agachou-se ao pé deste:
Carolina - Olá! Estás bom? Posso fazer-te uma pergunta?
O rapaz, acanhado, abanou a cabeça em forma de consentimento.
Carolina - Qual é o teu nome e que idade tens?
Rapaz - Os meus amigos e toda a gente, chamam-me Xisco. Mas o meu nome é Francisco!
Carolina - Prazer Xisco, eu sou a Carolina. Olha eu estou com aquele Sr. ali, ele é detective e estamos aqui porque....porque estamos á procura de umas pessoas más que fizeram maldades aqui no beco. Por acaso não viste nada de estranho ontem á noite ou mesmo durante o dia de ontem?
Xisco - Hum... não!
Carolina - De certeza?
Xisco - não....não não vi nem ouvi nada já disse!
Carolina - Pronto pronto, não te chateies comigo. Só queria ter a certeza! Costumas vir aqui muita vez?
Xisco - Moro aqui perto, na rua seguinte!
Carolina - Muito bem. Obrigado!
Carolina afasta-se, mas não sai convencida, o rapaz olhou para a esquerda enquanto respondia, o que indicara que Xisco muito provavelmente estaria a mentir. Todavia, como não queria pressionar o rapaz e como ele poderia ser a unica possivel testemunha, decidiu afastar-se por enquanto.
Dando meia volta, em direcção a Duarte, vê o mesmo com um ar muito pensativo e intrigado.
Chegando lá:
Carolina - Então? Encontras-te alguma coisa?
Duarte fica calado, como se não estivesse lá!
Carolina - DUARTE!
Duarte assusta-se com o berro de Carolina.
Duarte - Hei, calma pá, olha os tímpanos. Não estava cá, desculpa! Diz!
Carolina - Perguntei-te se tinhas encontrado alguma coisa.
Duarte - Hem, encontrei e não encontrei, mas se calhar é pura coincidência!
Carolina - Desembucha Duarte!
Duarte - Opa, o Rui e a Guida foram atacados ali, e o Rui disse-me que viu três dele a sairem de um portão uns metros mais á frente. Assim sendo, só pode ser ou deste ou do a seguir! O que me intriga é que o Rui estava no hospital no quarto 222 e este portão, como podes ver, tem o número 222 pintado! Terá alguma ligação? Coincidência? E depois como pode ser possivel não haver vestígios? Nem pégadas no sangue nem impressões digitais...nada nadinha! Um degolamento jorra muito sangue, e o assassino tinha que ter-se sujado. Pelo menos assim o penso!
Carolina - Já Margarida Rebelo Pinto diz que não há coincidências, mas é bem possivel que seja uma....ou talvez não. Porque não pedes um mandato ao tribunal para uma busca?
Duarte - Pois sim! Baseado em quê? Em números pintados a tinta branca? Não tenho absolutamente nada! NADA!
Carolina - Calma, sei como te posso ajudar! Tenho uma colega minha que é Juíza, concerteza que explicando-lhe o caso, consigo que me avie um mandato judicial.
Duarte - Eras uma querida se conseguisses isso sabes?
Carolina - E já não sou? (risos)
Duarte - (rindo) és pois....és pois, quando queres!
Carolina - Tu és mau, nunca vi nada igual!
Duarte - Pois sou! Vá vamos indo que tenho que voltar ao escritório, aqui é, literalmente, um beco sem saída por hoje!
Ambos caminham pelo beco fora até chegarem ao carro! Duarte abre a porta a Carolina como acto de cavalheirismo e diz:
- Afinal não sou assim tão mau pois não?
Carolina - Quando queres (risos)
Duarte - Olha que tu.....
E segue para o lado do condutor. Senta-se no seu Renault Mégane, liga o carro e segue para a Sede.
Duarante o caminho, toca o télémóvel, era Rui!
Duarte - Sim Rui, como estás?
Rui - Já dirigi melhor as coisas, apesar de não me conseguir lembrar de certas coisas, mas vão voltar têm que voltar! Encontras-te alguma pista?
Duarte, como não queria estar a falar sem saber de nada em concrecto, diz:
- Não, nada, parecem fantasmas! Mas pelo que sei procuramos um grupo muito bem organizado! Sabem claramente o que estão a fazer Rui tenho um pressentimento que não irá ser um caso de fácil resolução!
Rui - Mas irá ser concluído, nem que tenha que morrer para o fazer Du! Eu irei encontrar aqueles filhas da mãe!
Duarte - Calma Rui, calma, vais ver que os vamos apanhar e não só tu! Lembra-te das condições com que podes participar! Nada de loucuras!
Rui - Certo certo, desculpa Du, eu comporto-me!
Duarte - Acho bem, é que caso contrário, ponho-te fora do caso e não estou a brincar Rui!
Rui - Eu sei eu sei!
Duarte- Muito bem, vá que agora estou a conduzir. Amanhã ás 7h00 passo em tua casa para te ir buscar. Se precisares de alguma coisa liga!
Rui - Ok ok, até amanhã!
Duarte - Até!
Duarte, desliga o móvel e Carolina rápidamente intrevém!
- Porque não lhe disseste do número?
Duarte - Não o quero preocupar sem antes estar certo do que é ou o que significa!
Carolina - Acho que deverias ter contado, pois amanhã ele irá descobrir de certeza, mas tu é que sabes!
Duarte - Sim, eu é que sei!
Duarte acelera em direcção á Sede, precorrendo todo o resto do caminho calado!
Ao chegar á Sede, dirige-se ao escritório e telefona aos peritos, pedindo-lhes que examinassem o portão! Que procurassem por todos os possíveis e imaginários vestigios!
Desligando o telefone, Duarte, pega no seu casaco das costas da cadeira, sai do escritório fechando-o á chave, e diz até amanhã!
Saindo da sede encontra Carolina.
- Ainda aí? Diz Duarte!
-Sim á espera do autocarro. Responde Carolina
Duarte - Entra aí, dou-te uma boleia!
Carolina - Obrigado.
Carolina entra no carro e Duarte arranca levando-a a casa. Chegando lá Carolina abre a sua porta e despede-se de Duarte com dois beijos na cara!
Duarte dizendo adeus, arranca rumo a casa! Ao chegar a casa, Duarte despe o casaco, deixando-o no chão e estira-se em cima da cama, adormecendo!
(CONTINUA BREVEMENTE)
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