domingo, 17 de abril de 2011

Em Nome de Guida (Capitulo IV)

Meia Noite, Rui já se sentia aborrecido de estar em casa, a televisão não o distraía, a música fazia-lhe sentir-se melancólico e tudo o que lhe passava pela mente era um enorme porquê! Porquê a Guida? Porquê ele? Porquê eles?
Rui já andava a passear pela sua mente, pelas suas memórias há dois dias, tentando encontrar alguma coisa, alguém, o que quer que fosse que lhe conseguisse responder aos porquês, mas nada.
Rui sentiasse desiludido consigo mesmo por não conseguir pensar ou encontrar alguma conexão. A frustração já era tanta que Rui começava a perder a cabeça, começava a sentir o rancor e o ódio a tomarem conta de si. Nesse instante Guida passa-lhe pela cabeça e relembra-se dela, da sua história e da história que os uniu.
Guida tinha 28 anos na altura de sua morte, era natural de Loures. Aos 18 anos Guida entrou na Faculdade de Letras na Universidade de Lisboa . Sonhava ser professora desde criança.
Aos 20 anos conhece Rui no Cocktail Bar Hemmingway Cascais (1) em finais de 2003 , situado na Marina de Cascais, primeiro andar. O espaço é inspirado pelo mar, algo que Guida adorava.
Guida sentava-se no terraço a degustar um Cosmopolitan, observando o mar, relembrando-se da sua majestidade, dos barcos serenos que por ali passavam, da imensidão do céu de azul profundo e da brisa marítima que lhe refrescara a face inúmeras vezes nas tardes de verão.
Guida já havia passado inúmeras tardes a reflectir naquele terraço ou na esplanada. Sabia que a mística da marina passa pela sua apreciação nas várias estações. Associado a um sentimento de Verão, a beleza do mar não é limitada ao verde do Verão, mas estende-se ao azul claro da Primavera, do musgo do Outono e ao azul tempestade do Inverno. Tendo isto em conta, sabia que o Hemingway encontrava-se preparado com uma esplanada para apreciar tanto a tarde amena, como o bafo quente, ou a poética lua espelhada no mar. Nos dias mais frios, não faltavam as cadeiras que permitem a quem visita continuar a sua contemplação, mas protegidos das variações de humor do clima de Cascais.
A decoração do bar oscila entre o zen, transmitido pelo uso da cor laranja e da madeira, a musica ambiente chill out e o cheiro a incenso; e o ambiente familiar, identificado pelos vários objectos dispostos pelo bar, como velas que já derreteram e foram fundidas vezes sem conta desde os primórdios do bar, ou os incensários em constante uso, até à simplicidade e simpatia dos funcionários. Em destaque para quem entra está o casco de um barco, parte central do bar, que transformava a visita ao Hemingway numa representação do “Velho e o Mar”. Guida amava aquele Bar, sentia-se em casa, literalmente.
Rui repassava as memórias incessantemente até chegar a um dos dias mais importantes da sua vida, o dia da proposta!


(CONTINUA BREVEMENTE)

*(1) O uso do nome do Bar, foi autorizado pela própria Gerência.

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