
A possibilidade de duas pessoas do mesmo sexo poderem, futuramente, aceder ao casamento civil, tem causado alguma indignação por parte de algumas pessoas da "nossa praça". Digo algumas porque quero acreditar que se trata, de facto, de uma minoria que deseja limitar um acesso a um direito!
Não consigo perceber, entender e até mesmo tolerar as razões apontadas para que se defenda o contínuo afastamento de pares do mesmo sexo do direito, legítimo, de virem a optar por se casar.
O casamentro civil entre pessoas do mesmo sexo já deveria ser uma realidade há muito, porque assenta em factos incontornáveis, os quais passo a explicitar:
1 - Trata-se de uma forma de reconhecer legalmente o relacionamento entre duas pessoas. Não pode, por isso, ser comparável, de forma falaciosa por alguns líderes de opinião mais desonestos, a uniões entre seres humanos e animais ou mesmo objectos!
2 - Vivemos, felizmente, num país laico. Ou seja, onde impera a separação legal entre o Estado e a Igreja, independentemente da religião em causa. Por isso, o que está em causa é o direito de pares do mesmo sexo virem a contrair casamento civil.
Aliás, numa sociedade laica é tão sui generis referendar o direito que duas pessoas do mesmo sexo têm de aceder ao casamento civil como referendar a possibilidade dos sacerdotes católicos poderem aceder ao casamento civil.
3- A instituição do casamento civil não tem como única finalidade a reprodução. Senão, vedaríamos tal direito ás pessoas inférteis ou a quem, por opção, não quisese procriar!
4 - A homossexualidade não é uma doença ou parafilia e isso é atestado pelos mais recentes manuais de diagnóstico utilizados em psiquiatria e psicologia, o "Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders" e a "Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados á Saúde" da Organização Mundial de Saúde, nem se verifica qualquer correlação com o "incesto", "abuso sexual" ou mesmo "pedofília", ao contrário do que é falsaqmente proferido por muita gente, que confunde, propositadamente ou não, doença com pecado, á luz da religião mais prosélita ou de doutrinas oficiais transmitidas por Estados do tamanho de cerrados que perante a actual dificuldade de "vender" os seus pecados tende a reconvertê-los em doenças, o que não deixa de ser uma evolução, pois outrora anunciavam a doença como castigo do pecado (risos).
5 - Nem o casamento civil, nem mesmo a moral e a ética, são propriedade de alguma instituição religiosa. (porque se for meus amigos, há muita gente que não está a ser paga).
6 - Ninguém será prejudicado, independentemente da sua orientação sexual, nos seus direitos, se o casamento civil entre duas pessoas do mesmo sexo for uma realidade.
Enfim, perante tais factos o melhor é não meter "o casamento civil na sacristia" e deixar que o "António" e o "Joaquim", assim como a "Fátima Andreia" e a "Jacinta", possam casar!
Um pequeno aparte, para os que não me conhecem, não ficarem a matutar: Sou heterosexual com muito orgulho, simplesmente acho que os direitos são para todos e não para uma parcela denominada socialmente "normal"!
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O meu "Universo" és tu!
És heterossexual com muito orgulho? Bem... isso é como se dissesses "ainda bem que nao sou homossexual"...
ResponderEliminarA.M.
A resposta já vai um pouco tarde, mas mais vale tarde do que nunca certo?
ResponderEliminarNão não é como se dissesse "ainda bem que não sou homossexual", simplesmente orgulho-me de ser heterossexual, pois ser heterossexual faz parte do meu "Eu" e eu orgulho-me de mim e, por consequente, de tudo o que sou.
Se tivesse algum pudor contra orientações sexuais diferentes ás minhas, nem me dava ao trabalho de escrever essam minha crónica, na qual defendo com unhas e dentes a igualdade de direitos.
Obrigado pelo comentário!