sábado, 1 de agosto de 2009

Carros como Cisnes...


O automóvel, ou carro, numa linguagem mais popular, sempre competiu com a casa, isto é, com a habitação, tendo esta sido concebida atribuindo ao próprio carro um espaço exclusivo.
Essa competição nota-se particularmente nos consumos dos indivíduos e famílias e nas decisões associadas a estes.
Para os mais cépticos e críticos em relação a quem interpreta a sociedade com a Sociologia, convém atender ao facto de os sociólogos recordarem, várias vezes que um dos principais sinais de melhoria das condições de vida dos portugueses é a renovação da frota automóvel,(afinal quem não se quer mostrar?? ) e, mais do que isso, a crescente necessidade de os cidadãos adquirirem um automóvel antes de qualquer outro bem.
Apesar das vias de mudança actuais, em que o automóvel sinaliza, mais do que nehum outro objecto, a indepêndencia e a liberdade das mulheres face á tradição, à família e ao homem, este compete decididamente nas relações de género.

O automóvel, estendendo o poder do homem, posiciona-se acima da mulher (de uma forma generalista): mais fiel (nunca nos traiem com qualquer outro), manobrável (faz curvas como ninguém), estável (o seu estado de humor nunca muda), e sobreduto mais cooperante com os seus desejos e objectivos (fazem tudo o que lhe pedirmos sem contestação). Os automóveis concebem-se segundo os esquemas de percepção, expectativas e referenciais de vida que se conhecem da parte dos vários segmentos da população: é um dos protagonistas no jogo social das identidades (sociais e individuais).

Por paradoxal que pareça, ao ser um dos produtos sobre o qual assenta a economia moderna, acaba por, em simultâneo, actuar tanto na produção e instituição de novos valores acerca dos estilos e modos de vida dos indivíduos como na sua mera reprodução. Grande parte das vezes, este encaixe faz-se no sentido mais literal do termo: aos homens vende-se potência, atracção e virilidade; às mulheres propõe-se autonomia, facilidade de estacionamento e simplicidade; às famílias fala-se de espaço e de capacidade de organização; aos gestores sugere-se poder de imagem e muito mais.

Assume-se, actualmente, que não existimos enquanto pessoas se não existirmos com os objectos e a tecnologia. No sentido figurado, os carros são Cisnes e nós apelidá-mo-nos de cyborgs!

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O meu "Universo" és tu!

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