
"o forte apelo poético associado a uma percepção espiritual do mundo causam certo mal estar no "ocidental contemporâneo", e vamos deixar assim, entre aspas, porque é lamentável que termos nascido em determinada época e em determinada parte do mundo nos condene a caber num clichê."
Estracto de um texto do blog que comenta sobre o filme FOLEGO do sul coreano Kim Ki Duk. http://maiaragouveia.blogspot.com/2008/05/flego-de-kim-ki-duk-aleksandr-sokrov-o.html
Quando o escritor Yukio Mishima se suicidou com o ritual do seppuku o ocidente deve ter achado que o Mishima estava com depressao ou mal da cabeça, mas ele havia dito antes que os ocidentais nunca poderiam entender o que significava o seppuku.(Seppuku ou Harakiri - consiste na obrigação ou dever do samurai de suicidar-se em determinadas situações, ou quando julga ter perdido a sua honra. Significa literalmente "corte estomacal". Esse suicídio ritual também é mais chamado de seppuku, uma forma mais elegante de se dizer a mesma coisa.)
HARAKIRI - seppuku era um feito de bravura que era admirado em um samurai que sabia haver sido derrotado, caído em desgraça ou mortalmente ferido. Significava que ele poderia terminar os seus dias com os seus erros apagados e sua reputação não apenas intacta como engrandecida. O corte do abdômen liberava o espírito do samurai da forma mais dramática, sendo uma forma extremamente dolorosa e desagradável de morrer, e algumas vezes o samurai que o fazia pedia a um companheiro leal que fosse seu assistente e lhe cortasse a cabeça antes que esta pendesse ou que demonstrasse agonia, o que seria considerado uma desonra tanto para o que cometeu seppuku quanto para o assistente.
Até aqui, foi uma breve introdução, para se poder perceber do que estou a falar. Quando digo entender....Nem sempre é fácil, refiro-me, primordialmente a pessoas.... ás pessoas...
A partir de aqui será uma conversa entre dois amigos, para não estar a falar em nomes, um será conhecido por B, outro por M.
Penso que é uma reflexão muito bem reflectida ( por assim dizer), mas já ficarão a saber se lerem até ao fim... vão ver que vale a pena, e quem sabe...poderão introduzir no vosso pensar, pequenas coisas que aqui serão ditas que vos tornarão mais completos... e se quiserem no fim, dar uma opinião vossa, agradeço :) Vamos lá então...
B - Entender outras pessoas não é fácil realmente....
A ciência ao longo de seu desenvolvimento já forjou várias ferramentas para tentar chegar a uma compreenção do ser humano em sua totalidade! Pode-se dizer que o sucesso da ciência em chegar a compreender o homem é ainda Falho (significa frustrado, logrado,improdutivo, ineficaz).
O Homem sempre surpreende, pois o homem com ser é ÚNICO, e para cada um dos BILHÕES de seres que existem neste mundo há uma interpretação diferente da reailidade que nos cerca, e portanto das situações que ele presencia...
O sistema Moral e ético da sociedade ocidental Contemporânea, tem suas bases na cultura cristã, pregada deliberadamente por séculos pela igreja católica... Vale lembrar que a igreja cristã pregava a igualdade, a fraternidade e a caridade, e estes valores de uma forma ou de outra acabaram por serem assimilados por nós através da cultura, e do sistema ético-moral...O sistema moral, que nos diz aquilo que podemos ou nao fazer,[oque é certo, porque é bom, e oque é errado porque é mal] diz-nos que suicídio é uma atitude condenável, pois, a pedagocia cristã ensina que quem se mata vai para o inferno sofrer horrores pela eternidade afora!!O suicídio então, dentro da cultura ocidental contemporânea é um pecado contra si mesmo e contra os valores morais que regem a sociedade!
Já no caso do oriente que, [Felizmente] nao teve contacto nenhum com as perversões de idéias protagonizadas pelos discípulos de cristo, desenvolveram um sistema ético-moral bem distinto do nosso, bem como um sistema religioso igualmente diferente... [basta comparar o Budismo com o Cristianismo], desta maneira na cultura oriental, ao perder sua Honra, o samurai deve remir-se com o suicídio pois uma vez desonrado sua "causa motriz" se perde...!
Eis a diferença que quero apontar...e agora em suma: Na cultura Ocidental [nossa cultura] o sistema moral condena o suicídio... Na cultura Oriental, o suicídio tem a tarefa de remir a honra do samurai desonrrado!
A antropologia ensina-nos a respeitar o relativismo cultural que existe,pois tal é a maneira de compreender o homem como ser cultural sem se perder em Preconceito e Discriminação!!!
M - Como começar? Unh... Nunca a questão do olhar, ao meu ver, esteve tão no centro do debate da cultura e das sociedades. Um mundo onde tudo é produzido para ser visto, onde tudo se mostra ao olhar, coloca necessariamente o ver como um problema. Aqui não existem véus, nem mistérios mais. Vivemos no universo da sobreexposição e da obscenidade desenfreada, saturado de clichês, onde a banalização e a descartabilidade das coisas e imagens foi levada ao extremo...
*Pensando seriamente* O indivíduo moderno é, em primeiro lugar, um passageiro metropolitano, em permanente movimento, cada vez mais longe, cada vez mais rápido...
*Modo eterno sonhador ON* Será que ninguém percebe que a velocidade provoca o achatamento da paisagem?
*Modo eterno sonhador OFF* Quanto mais rápido o movimento, menos profundidade as coisas têm, como se estivessem contra uma tela.
*Questionando-se* A cidade contemporânea corresponderia a este novo olhar? Os seus edifícios e habitantes passariam pelo mesmo processo d superficialização? *Amedrontado* A paisagem urbana confundindo-se com billboards.
*Modo king of drama ON* E, o mundo se converte em cenário, os indivíduos em personagens. *Modo king of drama OFF*
B - Dinâmica do devir (é um conceito filosófico que qualifica a mudança constante, a perenidade de algo ou alguém) é magnifica!
O passageiro que viaja apressado, cada vez mais rapido nao esta só...
Se estivesse só nao seria humano, seria animal. Assim dentre os passageiros temos o Homem, a Mulher, o Padeiro, o Arquiteto, o Cantor, o Pastor, o Professor o Ateu... enfim, substantivos que nos dão identidade e nos dotam de um conceito, para que os "seres" que fazem compartilhem o mesmo "Meio Físico" possam organizar o que é "A" e o que é "B". Distinguindo ou Igualando caracteristicas diversas, O Homem: Animal que mede. O Homem: Animal que mediu e Generalizou...*Risos*
O Mundo moderno foi forjado nos escombros das antigas relações patriarcais, um mundo de facto mais simples pariu este mundo moderno, com suas máquinas, fábricas, Horas de trabalho... dinheiro... lá se vai a profundidade da coisa...porque o que se procura neste mundo moderno, apesar de todo o avanço ciêntifico, é um ser que saiba APERTAR O PARAFUSO, na linha de montagem onde trabalha e se partimos de um pressuposto de que o homem, é um ser cultural LOGO: Nossa vida indiscutivelmente é aquilo do que nos ocupamos durante nossa existencia...
*Exemplo Engraçado*TRABALHE APENAS... SE TRABALHARES, TERÁS OQ UE COMER ATÉ O DIA DE SUA MORTE...! SE FORES UM BOM GAROTO... IRÁS PARA O CÉU!
Bom...o Apertador de Parafusos, la da linha de montagem, pertence aos anos que sucederam a REVOLUÇAO INDUSTRIAL... e de la para cá, pode-se dizer que evoluimos e conquistamos direitos... o sistema Jurídico evoluiu no sentido de "Proteger o ser humano" legando-lhe DIREITOS, para equipara-lo ao SENHOR capitalista que detem o PRIVILÉGIO...porém, se evoluimos nesta perspectiva, nosso sistema ideológico mudou muito pouco... A maior parte da sociedade, mantém padrões ideológicos PÉTREOS, ensinados por um sistema moral MILENAR... e o facto é que FRENTE AS PERIPÉCIAS DA VIDA: AINDA NAO PERGUNTAMOS : "PORQUÊ??" Porque trabalhamos? Porque vivemos assim? Aprendemos ao contrário... viver uma vida acelerada, para que assim nao tenhamos tempo de sentir as coisas profundamente!
Discordar, ainda é uma tarefa para poucos...é mais fácil ser "FAST-FOOD" , nao é??
M - Ah! *Contente* Não direi que concordo com tudo o que disseste, mas de maneira geral, gostei bastante. E, mais que isso, respeito tua maneira "d'olhar" e "ver" o universo em que estamos inseridos.
Unh... Embora a linha seja bastante tênue, não diria moderno, mas contemporâneo... Encontramo-nos num momento em que barreiras se diluem, e prefixos como multi-, pluri-, inter- entre alguns outros maquilam as palavras com sentidos aparentemente profundos.
Talvez, o segredo esteja em valorizarmos aqueles que não vêem dificuldades maiores em concretizar algo: As crianças. E, na tentativa de relacionar o assunto do deste trabalho com a análise do B, gostaria de questionar algo.
Esta aparente ausência de limites não dificulta conhecer o outro?
B - Eu diria a priori que dificulta sim...Mais penso que, em si tratando do outro, e da Busca pelo conhecimento,quando colocamos o homem como objecto de nossa análise: seja ela Antropológica, filosófica, metafísica... etç, encontramos sobretudo um ser que retém em seu âmago uma essência primeira que o liga aos demais no meio social em que ele vive - não sei ao certo se tão essencia é a cultura, ou mesmo Instinto - Sei, no entanto, que essa essência faz com que o ser tenha uma faceta GENERALIZÁVEL...partindo dai...Podemos pressupor a busca pela Verdade humana...Pois todo o esforço humano, parte do ponto de vista da utílidade ou nao deste acto...ninguem projecta uma acção na qual nao veja um fim...mesmo o mais absurdo delirio alimentado pelo maior lapso de Loucura contém uma causa primeira, e um fim ultimo...
Porque a Ausencia de limites entao? Porque estamos mergulhados na superficialidade? Lanço-me ao mar das análises ilimitadas...e é de facto dificil apontar qual limite ultrapassamos primeiro... dificil portanto fazer uma genealogia do problema humano, quanto suas causas originais...talvez seja somente o devir das coisas...ou talvez não...O HOMEM dos dias actuais é o PRODUTO de MILÈNIOS de EVOLUÇÃO e INVOLUÇÃO...é o VERBO perfeito, conjugado e Reconjugado em sua forma mais improvável, produzindo uma Fonética totalmente nova: "ás vezes insonssa, as veses Surpreendente...!"
E a ferramenta de compreensão do homem - O PENSADOR - deve-se fazer aquilo que é nescessário... e se prover de engenho e arte... sendo, ás veses FILOSÓFO, as vezes POETA, as vezes HOMEM... mas, sobretudo, procurar ser mais que o reflexo de sua própria época, negando essa configuração erronia pressuposta pelo passado da humanidade!Entender é o primeiro passo....pode-se entender, com certa dificuldade, cada um dos diferentes GÉNEROS HUMANOS...COMPREENDER é o objectivo do entendimento!!Não mais APARO AS ARESTAS...a ausência de limites nao deveria assim ser somente mais um nuance em meio a esta vasta busca pelo entendimento?
M- Embora não compreenda tudo, gosto do que dizes, além de sentir que estou a aprender como nunca.
*Levanta-se* Quanto á ausência de limites como apenas mais uma nuance por entre as tentativas de entendimento do outro, considero muito do que disseste plausível. Entretanto, acredito que o maior problema é este, e, talvez, somente este: Desejar entender o outro, de modo a conhecê-lo de maneira exacerbada...
*Sorri* Estava a pensar numa resposta, porém admito que, neste instante, canso-me de pensar, de ter opiniões, de querer pensar para agir. Em contrapartida, não me canso de ter, ainda que transitóriamente, as opiniões alheias para o único fim, como defendeste de maneira brilhante, de sentir o seu influxo e não seguir o seu impulso.
*Questionando-se* Paradoxo?! Sim, sim...
*Modo eterno sonhador ON* Acredito na existência duma identidade paradoxal no homem. *Modo eterno sonhador OFF*E a insuportável inquietação ocorre-me mais uma vez: Gostaria de entender o bastante para, ao menos, ter mais propriedade daquilo que estás a dizer, e termino por não compreender, seja por falta de maturidade, seja por cansar-me por antecipação. (Embora, no fundo, não deseje compreender.) Por vezes, sinto que isto é impossível, e todas as vezes que pensara que compreendera, sentia que era por ter compreendido errado também.
Eu - Como também tenho direito á palavra, e não vou acrescentar mais do que já disseram porque para além de tentar compreender o outro ou os outros, ás vezes não me compreendo de igual modo, e sem me perceber por vezes, por vezes também, não irei perceber o outro.
E isto sem falar que o outro pode ser uma outra, aí já teríamos outra barreira. Essa outra pode ser mais nova ou mais velha, outra geração, outro pensar, outra cultura, o que nos irá apresentar outros ideiais.
Barreiras existem aos montes. Agora para ir adiante delas é preciso calma e observação para tentar entender alguma coisa.... se possível!
Eu acho que talvez, entender seja um erro... Prefiro a ampla e livre largueza e sem erros que é não-entender, mas sentir..... há de nos levar a algum lugar!
P.S - Peço desculpa se encontraram algum erro tipográfico...mas é que foi uma longa conversa :)
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O meu "Universo" és tu!
Olá..
ResponderEliminarPassei.. para conhecer e agradecer a visita.
Interessante o Post actual, mas visto que realmente é/foi uma 'longa conversa' fico pela 'B - Entender outras pessoas não é fácil realmente...' amanhã passo à segunda parte.
Parabéns pelo espaço..