sábado, 26 de fevereiro de 2011

S.O.S


Nos dias tristes não se fala de gatos nem de cães nem de aves.

Liga-se aos amigos e eles não estão.

Depois pede-se lume na rua

como quem pede um coração novinho em folha.


Nos dias tristes é Inverno

e anda-se ao frio de cigarro na mão

a queimar o vento e diz-se- bom dia!

Ás pessoas que passam,

depois de já terem passado

e de não termos reparado nisso.


Nos dias tristes fala-se sozinho,

escuta-se sozinho,

sente-se sozinho,

e há sempre uma ave que pousa

no cimo das coisas,

em vez de nos pousar no coração.

Mas o mais intressante é que não fala connosco,

e uma vez mais, acabamos o dia sós.

Há Dias loucos que mais valiam serem Noite!


Há dias em que a loucura tem hora marcada, como uma consulta qualquer num médico de qualquer especialidade, que atrasa sempre...eu sei, mas está marcada a hora, o que acontece depois já não diz respeito à Senhora da recepção...ou Menina.


Outros dias ela, a loucura, chega sem aviso prévio, à noite, à tarde ou até mesmo de manhãzinha cedo, eu sei porque me contaram que a viram a rondar os crânios mais sabientes aqui da rua.


É verdade que a oscilação do produto nem sempre é constante, acontecem com frequência picos de malvadez e insanidade que roçam a altivez do barril do crude nas principais praças europeias, variando com a conjectura e esta tem ciclos mais ou menos previstos.


Isto tudo para dizer que os arrumadores de carros sofrem ao tempo, a chuva, o Sol e a generosidade ou a falta dela, de quem ocupa os lugares, fazem mossas profundas no restabelecimento do poder económico destes. Mas também quem lhes manda arrecadar os espaços exteriores?


Mais valia, sim mais valia pedirem pifaros e se mandarem rua abaixo, talvez tivessem mais sorte.


Os amantes gostam de ver as amantes com uma lingerie vermelha, arrebatadora dos sentidos, até lhes compram uma ou duas depende do número. Depois é vê-los babados até à medula.


As amantes gostam de ver os amantes com aqueles boxers justinhos, os quais conseguem averiguar o, digamos, "pacote" sem ter que os despir...Ah é verdade...já me ia esquecendo do rabiosque, o que tembém elas geralmente gostam!


Já é tarde para falar daquela verdade absoluta, que tudo o que sobe tem necessáriamente que cair, não, não é a lei de Lavoisier, mas também é muito importante.


Enfim, há dias loucos e outros, loucos dias, por isso, muitos deles, mais valiam serem Noite. Ao menos, de Noite há menos agitação...ou pelo menos, a agitação é outra!




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O meu "Universo" és tu! Sempre!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

O Cidadão Português - O Manso!


Numa altura em que alguns cidadãos questionam os cortes salariais, os vencimentos surrealistas de muitos presidentes de empresas públicas, as constantes nomeações e mordomias políticas, os contínuos discursos absurdos e egocêntricos de muitos responsáveis políticos, o desemprego, as crescentes desigualdades sociais, e, no fundo, esta democracia totalitária apinhada de “glutões” que se deliciam neste regabofe, torna-se necessário tentar perceber por que razão o cidadão português é frequentemente acusado de ser um grandessíssimo manso. A História diz-nos que na Antiga Grécia o termo cidadão significava político, um habitante da polis, um participante responsável nas actividades públicas e detentor de direitos e deveres. Este conceito de cidadão participativo com direitos e deveres esteve - e ainda não estará? - ausente na nossa educação tradicional que fundamentalmente realçou os deveres. (Figueiredo: 2001), fruto de uma pedagogia “marcada pelo recurso a uma autoridade esmagadora (…) onde o educando tinha para com o educador não só obediência e respeito, mas também, frequentemente, temor” (Cabanas: 2002). Não é, pois, de pasmar esta afirmação de Monteiro (in Pereira: 2002): “Não nos iludamos… Esta escola primária – a minha – vitimizou, inexoravelmente, muitas pessoas. Mas também é indubitável – não obstante os traumas (muitos deles inconscientes) que perduram – que muitas recordações dessa escola acabaram por ficar no lado doce da memória de outros cidadãos… Nalguns casos tornaram-se até criaturas (aparentemente) normais e saudáveis. Algumas delas, optaram mesmo pela profissão de professor”. Progressivamente, com a Revolução Francesa e o seu lema «Liberdade, Igualdade, Fraternidade», a Escola foi influenciada (?) por pedagogias mais activas ou progressistas que atribuíam mais direitos à criança. A sua participação activa em várias tomadas de decisão na escola - e “há política a partir do momento em que são tomadas decisões” (Delplancke citado em Barbier:1996) - foi sendo vista cada vez mais como uma necessidade e exigência. Por isso mesmo, visando a educação para a participação nas instituições, serviços cívicos e o desenvolvimento ético ou moral do aluno, ou melhor, a preparação dos “alunos para o exercício da cidadania, permitindo-lhes a aquisição de competências parlamentares” (Marques: 1998) e uma introdução ao que Giddens (1997) chamou de “política de vida”, algumas escolas adoptaram paulatinamente a realização de assembleias de turma/escola, com a clara influência do método de comunidade justa criado por Kohlberg. Como nos diz Kenway (in Silva:1999): “a maioria das pessoas não tem a mais vaga ideia do que significa levar uma vida ética. Elas não compreendem a ética como uma base para se pensar sobre como devemos viver. Elas vivem, em geral, vidas dirigidas pelo auto-interesse”. Hoje em dia, impreterivelmente,já não é aceitável ser cidadão e limitarmo-nos àquele conceito de animal político de Aristóteles – concepção de cidadania de tradição cívico-republicana (Nogueira:Silva:2001) –, pois os fenómenos da imigração e do racismo, as desigualdades escolares e sociais, a exclusão social, entre outros, apelam a outro tipo de ética. Saber promover a empatia, saber fomentar o clima moral na sala de aula, saber envolver os alunos na acção moral como forma de criar hábitos positivos de solidariedade e cooperação visando o bem comum (Cunha: 1996), são agora tarefas indispensáveis nos estabelecimentos de ensino. Caberá assim à comunidade educativa celebrizar uma ética da solidariedade, isto é, criar contextos pedagógicos que gerem a compaixão, a tolerância e uma ética do risco, nos quais os alunos se distanciem das relações de poder que oprimem (Giroux in Guerra:2002). Dito de outro modo, a Escola deverá assumir-se como um local de partilha colectiva de opiniões e propostas (Alves:2001), de indivíduos de espírito pluralista e altruísta (Beltrão;Nascimento:2000), porque ela é um conjunto – viver, crescer, sorrir e aprender – onde se constrói o futuro das crianças, dos jovens e do país. Porque, não tenhamos dúvidas, é na escola que se ganha o sentido duradouro de que somos cidadãos pertencentes a uma comunidade democrática. É na escola que aprendemos a situarmo-nos no mundo, assumindo-nos como cidadãos do universal, preocupados com o que se passa à nossa volta e mobilizados para as grandes questões da actualidade: a defesa do Planeta e do ambiente, a paz, o desenvolvimento económico, científico e técnico ao serviço de todos os seres humanos, os direitos humanos, a igualdade entre mulheres e homens, o respeito pela diversidade cultural, a tolerância e o combate contra a exclusão, o racismo, a xenofobia, o chauvinismo e o fanatismo religioso (Henriques et al:2000).

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011


Há no tempo em que vivemos uma dessincronização entre o curso dos acontecimentos e o seu impacto. Na verdade, a notícia que funcionava como canal privilegiado de acesso à informação deixou de o ser. Em vez disso, o que temos hoje é o acesso à reprodução mimética da mesma notícia que, apesar de variar no grafismo, se repete à exaustão pelos jornais. A notícia é portanto uma novidade relativa. Não encarna a sua função porque repete ideias. E não surpreende. Ao invés, endeusa-se a figura do comentador, que trabalha a perspectiva. E assume o papel de problematizador. Ou de paladino do descrédito de determinada medida. É o seu talhante, quem separa o osso da carne, e quem expõe os seus desperdícios. E serve mais ao leitor, porque através dele pode construir a sua própria perspectiva. O sentido crítico que o mundo actual convoca é também feito disso. Da necessidade absoluta de marcar posição. De se ter uma perspectiva. Um plano de visão. As circunstâncias actuais exigem a participação. O nim é cómodo, mas inerte. Todos temos opinião, e somos todos, também por isso, políticos. Quer seja sobre o mobiliário da praça, ou sobre o futuro do País. Todos temos um papel na decisão. Resta saber até que ponto estamos dispostos a exercê-lo e a que ponto chega a coragem de o fazer. As decisões, mesmo as más, têm um objectivo, e é por isso que se acreditamos nele não o podemos defraudar. Exige coragem e tenacidade que não se vendem em pacotes no hipermercado. Mas são absolutamente necessárias. Para os comentadores a avaliação é distanciada, mas é mais gratificante. Ajuizar e criticar são pontos fortes do estímulo à intervenção cívica. Portugal é um país de brandos costumes. Mas esta não é uma condenação. É uma constatação que cabe a cada um de nós contribuir para alterar.
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O meu "Universo" és tu!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Back!


Olá a todos os meus seguidores.
Sei que já faz uns tempos que não debito palavras, mas até á relativamente pouco tempo nem crédito de palavras tinha, pois havia muito pouco a dizer. Talvez por falta de iniciativa própria, talvez por falta de paciência, talvez por falta de tempo, ou talvez, e penso que será o mais correcto, por falta de inspiração da vida.

Foram uns meses asssim assim, e por assim assim, quero dizer, "nada convidativos" tanto á escrita como á própria vida, mas pronto...aqui estou eu!

Todos nós temos problemas é certo, uns com problemas mais graves, outros com problemas moderados, e outros que eventualmente, não serão nada demais. Todavia problemas são problemas e quem passa por eles, é que sabe o quão prejudicial/difícil possa ser.

Problemas á parte, não que esteja totalmente resolvidos, mas para lá caminham e isso é que é o importante... que as coisas andem e não estagnem.

Recomecei a trabalhar, o que é bom sinal, pois sem € no fim do mês, a vida complica-se, e nesse assunto, já meti a primeira, agora só falta ver quantas "rotações" o motor ( eu/patrão) aguenta até engrenar a segunda, mas há que dar tempo ao tempo.

O resto está indo bem, pois também tenho alguém que me apoia incondicionalmente, alguém que conhece todos os meus defeitos e fraquezas e mesmo assim acha-me formidável. Sabe bem ter isso! E o mesmo pode ela contar de minha parte.

Bom, não me posso demorar muito hoje, pois estou no "Work" e isso não é lá muito profissional, mas como o dia está paradito, dei um salto aqui!

Até breve minha gente!
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P.S - O meu "Universo" és tu!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Quando as Alturas se misturam com a Vida.


Há alturas e alturas, e há alturas em que a vida se mistura com certas alturas. Confuso? Para mim não, eu percebo-me (valha-me isso)!

Pela primeira vez, salvo erro, não escrevo para ninguém, nem para o "José" nem para a "Maria", apenas escrevo para mim, pois o melhor amigo do Homem, é um papel e uma caneta. Neste caso em específico, um teclado, um processador, um monitor e um rato e não vale esquecer da bela cadeira em que nos apoiamos (afinal de contas são vários "amigos").






Há uma altura que me espreita, e não de muito longe.
Mistura-se com a vida mas não a tinge.
Cores formará, e vivas serão,
Quente se tornará com o aproximar do Verão.

O último ano não foi de todo um pesadelo,
Mas houve alturas em que tornou um flagelo.
Doí-a sem abrir ferida, mas marcavam.
É que houve alturas que nem os meus pilares aguentavam.

Lutas incessantes de palavras golpeantes.
Uma armadura de pele nessa batalha constante.
Sem sangue vertido, não havia ferimento aparente.
Apercebi-me mais tarde que foi na alma que foi marcante.

Como em tudo há princípio, meio e fim,
Esta fase também se proporcionou assim.
Os dias tornaram-se mais claros,
E os negativismos, cada vez mais raros.

Em breve começará outra viagem, uma nova vida
Com uma direcção apenas, a de ida.
Não é fácil recomeçar, toda a gente o diz
Mas é por uma boa razão, a de tentar ser feliz (sei que vamos conseguir).

Há uma altura que me espreita, e não de muito longe.
Mistura-se com a vida mas não a tinge.
Cores formará, e vivas serão,
Quente se tornará com o aproximar do Verão.

Aguardo ansiosamente o momento,
E espero que chegue a sorrir!

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O meu "Universo" és tu!







domingo, 14 de fevereiro de 2010

Palavras sem Palavras


Ando sem caneta para escrever,

Falta-me o papel e o ser.

Não tenho tinta,

E por vezes, nem vida que se sinta.



Faltam-me palavras e letras,

Idéias e rimas.

Faltam-me acordes,

E nem sinto dor quando me mordes.



Não tenho borracha que apague,

Nem mão que apazigue,

Este assalto mental,

Que de nada tem de banal.

Sou pecado e pecador,

Sou santo com amor!


Não sou poeta,

Sou seta sem alvo!

Até o vejo, até o vislumbro,

Só não sei se é meu!



Confundo o simples, e o complexo,

Deixo-o sem nexo!

Faço linhas rectas curvas,

E banho-me em águas turvas!



Não tenho borracha que apague,

Nem mão que apazigue,

Este assalto mental,

Que de nada tem de banal.



Sou pecado e pecador,

Sou santo com amor,

Sou alma sem saber,

O que não consigo compreender!
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O meu "Universo" és tu!